Construção  

A Matriz é de traço barroco colonial, com elementos rococós na decoração, e por suas paredes espessas e feição imponente assemelha-se a uma fortaleza, reflexo do período de disputas de fronteira entre os territórios português e espanhol na América do Sul.
Localizada na larga praça central da cidade, sua entrada se dá através de um grande adro com pequena escadaria e balaustrada.
O frontispício, em pedra, é discreto, mas a porta única, central, mostra bela talha rococó, já um tanto desgastada pelas intempéries.
Aos lados, duas colunas toscanas ornamentais que nada sustentam terminam no segundo nível, onde se abrem duas janelas de arco abatido fechadas por vitrais, e tendo ao centro um óculo quadrifólio com pontas entre os lobos.

Acima, um frontão em triângulo isósceles nu é arrematado por uma cruz central e um perfil em escada, acima do triângulo.
O cornijamento em toda a fachada é estreito e sem adornos.
O corpo da igreja é ladeado por duas torres sineiras iguais, com aberturas estreitas junto à base e arcos abertos no nível superior para os sinos.
São largas e muito espessas, e possuem um oco exíguo que abriga apenas uma estreita escada até o topo.
O coruchéu tem ornamentação simples com volutas discretas e bandeirolas


A fachada traseira é bem menos ampla, acompanhado as menores dimensões da capela-mor, e possui apenas duas janelas retangulares estreitas no nível térreo e um óculo pequeno redondo acima, centralizado, e telhado visível em duas águas.
Em ambos os lados existem anexos térreos para a sacristia e a secretaria, com entradas independentes, igualmente em estilo barroco colonial.
O interior tem janelas altas, teto sem adornos em ripas pintadas de azul claro, em arco abatido, e é de nave única, dividindo-se apenas para delimitar a capela-mor.
À esquerda da entrada vemos um batistério simples, contendo apenas uma pia batismal de pedra, e é fechado por uma porta de folha dupla vazada, em madeira torneada. Sobre a entrada um grande coro de madeira, de linhas geométricas simples e sustentado por duas colunas igualmente discretas.

Existem 6 altares laterais, dedicados a Santa Bárbara, São Miguel Arcanjo, Santa Ana, o Divino Espírito Santo, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores, todos com vários níveis e nichos para outras imagens secundárias.
Apresentam uma talha rococó de inspiração vigorosa e elegante, acabamento esmerado e com arremates que assemelham a labaredas, sendo todos de um mesmo desenho geral mas todos diferentes nos detalhes, o que confere unidade e ao mesmo tempo variedade à decoração interna.
Na capela-mor, com duas janelas laterais elevadas, com balaústres e marcos decorados, ergue-se o altar-mor em escada, dedicado a Nossa Senhora da Conceição, com imagens secundárias de Nossa Senhora da Paz e Santa Rosa de Lima.

O conjunto tem estilo ligeiramente diverso dos altares menores, sendo naturalmente mais majestoso, mais arquitetural e menos decorativista, tendendo a um barroco mais rigoroso, mas também é de talha primorosa, com um frontão movimentado em arcos interrompidos, volutas e medalhões.
Acima, no teto, aparece o único exemplar de pintura mural em todo o interior (exceto pequenos adornos florais sob o coro), com uma cena representando a Santíssima Trindade.
Passando-se por dentro da capela-mor tem-se acesso à sacristia, à esquerda, onde estão guardados o púlpito e o ambão, removidos da nave para melhor preservação, uma expressiva coleção de Bandeiras do Divino de procissão, e uma capelinha também de lavra rococó com douradura, fechada por portinholas envidraçadas, com duas belas imagens de roca processionais, uma representando o Senhor Morto e outra o Senhor dos Passos.